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Sábado, Fevereiro 18, 2012

A invenção de Hugo Cabret por Renata Belich


Depois de obras Maravilhosas como Taxi Drive e Os infiltrados, Scorsese deixa de lado seu lado "Violento" para o lado mágico, fazendo uma linda homenagem à história do cinema. "A invenção de Hugo Cabret" é um filme mágico, onde é demonstrado à vida de Georges Méliès, que foi um dos primeiros cineastas e o pioneiro em "efeitos especiais", e isso é demonstrado brilhantemente no filme, colocando a produção dos filmes de Méliès, ao desenvolver “Viagem a lua”,” Vinte mil léguas submarino” entre outros.
A cena retratada da "A saída da Fábrica Lumière" dos irmãos Lumière, que seria o primeiro filme exibido em público, em que na platéia estava Méliès, foi uma das melhores cenas, ainda mais que quando você lê isso, estuda isso, fica imaginando a reação das pessoas ao verem o primeiro filme, mas olhar como realmente aconteceu é magnífico, e Scorsese conseguiu passar isso. Com a chegada da guerra, as pessoas foram ficando mais amarguradas, mais frias, tristes e algumas sem coração, e toda a magia dos filmes de Méliès foram perdidas junto com seu amor pela sétima arte abolindo de vez o cinema de sua vida. Ai aparece Hugo, um órfão, em busca de procurar seu lugar e seu propósito, consertou máquinas, mas também consertou corações.
É o retrato de Paris mais lindo que vi na vida, a direção de arte, figurino e fotografia está impecável, rica em detalhes em cores e harmonia, que não tem como descrever, é só vivenciando. Nota dez para mixagem e edição de som, que faz com que mesmo fechando os olhos consiga sentir o som e velocidade dos relógios, passos etc.
As atuações? Jude Law e seus 10 minutos de fama arrasa, o casal de protagonistas Asa Butterfield (que deu um show também em O menino do pijama listrado) e Chloë Grace Moretz, que ficou conhecida em 500 dias com ela, já provando ser uma excelente atriz, com 15 anos já tem mais de 20 filmes ok? Nosso querido inspetor é nada mais nada menos que o astro de Borat e Bruno. Mas quem eu mais amei foi Ben Kingsley como Méliès, que deu um show de emocionar no final.
Agora Scorsese, ele é um gênio, pois passou a vida toda fazendo um gênero de filme e por um simples capricho de sua filha de 12 anos resolveu dirigir um filme novo para ele, e consegue fazer esta obra. Nessas horas que você vê um grande diretor, ao conseguir mudar da água para o vinho sem misturá-los. Resumindo, Hugo Cabret é uma homenagem a história do cinema, ao princípio de tudo e, ao quando os cineastas lutaram para chegar até aqui, pois passaram por dificuldades, críticas, falência, descobertas de novas tecnologias etc. É o filme que tem a mais merecida 11 indicações ao Oscar de todos os tempos.

Renata Belich